DOR NO ABDÔMEN, FLANCO OU COSTELAS SEM EXPLICAÇÃO? A COLUNA PODE SER A VILÃ, ALERTA O DR. FABIANO FONSECA
Muitos quadros confundidos com gastrite, cólicas ou inflamações urinárias têm origem na coluna e passam despercebidos nos exames.
Dor abdominal persistente, incômodo abaixo das costelas, pontadas no flanco, cólicas recorrentes ou desconforto na pelve podem não estar relacionados a problemas digestivos ou urinários. Em muitos casos, a verdadeira origem desses sintomas está na coluna vertebral, que pode irradiar dor para diferentes regiões do corpo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% da população mundial sofrerá com dor na coluna ao menos uma vez na vida. No Brasil, o aumento das queixas vem acompanhando mudanças no estilo de vida, ultrapassando 30% de crescimento nos últimos anos.
“Recebo pacientes que trataram estômago, intestino ou rins por meses, quando o problema real estava na coluna. A dor irradiada confunde até profissionais experientes.”
Como a coluna provoca dor em outras regiões?
Os nervos que saem da coluna torácica e lombar percorrem o abdômen, as costelas, a pelve e a virilha. Quando esses nervos sofrem compressão por hérnia de disco, desalinhamento, desgaste ou tensão muscular, o cérebro interpreta o sinal como dor nessas regiões — e não no local da lesão.
“A dor segue o trajeto do nervo. Por isso ela aparece no abdômen ou na pelve, mesmo quando o problema é uma compressão na coluna.”
Esse fenômeno explica por que tantos exames digestivos, ginecológicos e urinários retornam normais, mesmo quando o paciente relata dor intensa.
“Quando o paciente apresenta dor e todos os exames são normais, devemos investigar a coluna. Ela explica grande parte das dores sem causa aparente.”
Sintomas comuns de dor irradiada da coluna
- Dor no abdômen que não muda com alimentação;
- Pontadas abaixo das costelas sem causa digestiva;
- Dor pélvica sem diagnóstico ginecológico ou urinário;
- Desconforto no flanco ou na virilha;
- Queimação, peso ou pressão na região abdominal;
- Dor que muda quando o paciente se movimenta.
“Se a dor aumenta ao girar o tronco, caminhar ou sentar, isso é um sinal importante de que a coluna pode estar envolvida.”
Aumentam os diagnósticos de problemas na coluna
- A dor nas costas é a segunda maior causa de afastamento pelo INSS;
- Quatro entre dez consultas ortopédicas estão relacionadas à coluna;
- Compressões nervosas aumentaram até 40% entre jovens adultos.
Tratamentos eficazes e acessíveis
A maioria dos casos não exige cirurgia. O tratamento adequado inclui fisioterapia especializada, fortalecimento muscular, descompressão manual e reeducação postural. Em alguns casos, procedimentos minimamente invasivos trazem alívio rápido.
“O erro mais comum é esperar a dor passar sozinha. Quanto antes investigamos e tratamos, maior a chance de recuperar totalmente.”
Conclusão
Quando a dor abdominal, pélvica ou torácica não encontra explicação nos exames, a origem pode ser a coluna. Investigar essa hipótese evita meses de tratamentos ineficazes e acelera o diagnóstico correto.
“Se nenhum exame explica sua dor, investigue a coluna. Ela pode ser a chave para entender o que está acontecendo.”
