Bomba no sistema financeiro: quebra do Banco Master expõe risco oculto em bancos e fundos
Especialistas alertam para efeito dominó silencioso que pode atingir bancos médios, fundos de investimento e milhares de investidores desavisados
São Paulo — A liquidação do Banco Master não foi apenas a queda de mais uma instituição financeira. Para especialistas do mercado, o episódio funcionou como a explosão de um alarme que vinha sendo ignorado: há riscos escondidos no sistema bancário brasileiro que podem atingir bancos médios, fundos de investimento e investidores que buscaram rentabilidade acima da média.
Nos bastidores do mercado financeiro, gestores passaram a usar uma expressão recorrente: “efeito dominó silencioso”. Trata-se da conexão pouco visível entre bancos fragilizados, fundos de crédito privado e investidores finais — uma engrenagem que funciona enquanto o dinheiro entra, mas que trava quando a confiança desaparece.
O colapso anunciado: sinais ignorados antes da queda
Antes da intervenção do Banco Central, o Banco Master já apresentava sintomas clássicos de colapso financeiro: pagamento de taxas muito acima do mercado, dependência agressiva de captação e dificuldades operacionais. Para analistas, a pergunta não é se o banco quebraria, mas por que demorou tanto.
“Quando um banco precisa pagar demais para captar recursos, o mercado deveria se perguntar quem está financiando esse risco.”
— Economista ouvido pela reportagem
O problema é que, enquanto esses sinais eram visíveis para especialistas, muitos investidores comuns viam apenas a promessa de retorno elevado.
Bancos médios no radar: quem pode ser o próximo?
Após o caso Master, o mercado passou a observar com lupa bancos de porte médio e instituições digitais que operam com margens apertadas e capital limitado. Embora não haja confirmação de novas quebras iminentes, especialistas afirmam que a fragilidade está concentrada exatamente onde o dinheiro é captado com mais agressividade.
Entre os principais fatores de risco apontados estão:
- Captação pagando acima da média do mercado;
- Alta concentração em crédito de risco;
- Baixa liquidez;
- Estruturas societárias complexas;
- Dependência excessiva de investidores institucionais.
O elo mais frágil: fundos de investimento sem proteção do FGC
Se a situação dos bancos já preocupa, o alerta fica ainda mais grave quando o assunto são os fundos de investimento. Diferente de CDBs e depósitos bancários, fundos não contam com garantia do FGC.
Na prática, isso significa que, se um banco emissor de títulos enfrentar dificuldades, o prejuízo pode ser repassado diretamente ao cotista.
Gestores admitem, reservadamente, que diversos fundos de crédito privado e FIDCs mantêm exposição relevante a papéis de bancos médios, justamente por oferecerem maior retorno.
Fundos com maior percepção de risco no atual cenário
| Fundo | Tipo | Por que preocupa o mercado |
|---|---|---|
| FIDC Cielo | FIDC | Alta exposição ao consumo e ao crédito bancário |
| BTG Pactual Consignado FIDC | FIDC | Concentração em crédito consignado originado por bancos |
| Plural Crédito Corporativo II | Crédito Privado | Emissores médios e menor liquidez em crises |
| SulAmérica Crédito Ativo | Crédito Privado | Busca ativa por retorno maior, assumindo risco elevado |
| Multimercados com crédito estruturado | Multimercado | Estruturas complexas e risco de resgate em massa |
“O risco não desapareceu — ele só mudou de lugar”
“O sistema bancário brasileiro é sólido, mas o risco não some. Ele se desloca para onde há menos regulação e mais apetite por retorno.”
— Economista especializado em regulação financeira
Para analistas, o perigo maior está na falsa sensação de segurança criada por rentabilidades elevadas e linguagem técnica difícil de entender.
O que o investidor pode fazer agora
- Desconfiar de retornos muito acima do mercado;
- Limitar aplicações a R$ 250 mil por banco (FGC);
- Evitar concentração em fundos de crédito privado;
- Ler atentamente relatórios e políticas de risco;
- Diversificar instituições e produtos.
Conclusão: o alerta foi dado
A quebra do Banco Master deixou uma mensagem clara: o risco financeiro nem sempre está onde parece estar. Ele pode estar escondido em fundos sofisticados, bancos pouco conhecidos ou produtos que prometem retorno fácil.
Para o investidor, ignorar esse alerta pode ser mais caro do que qualquer crise declarada.
