Projeção de IVA para 2026 pode chegar a 28% e reacende debate sobre carga tributária no Brasil
Análises sobre o IVA no Brasil

Projeção de IVA para 2026 pode chegar a 28% e reacende debate sobre carga tributária no Brasil

A possibilidade de o Brasil adotar, em 2026, um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) com alíquota entre 25% e 28% tem mobilizado o debate econômico nas últimas semanas. Embora ainda seja uma estimativa técnica, e não um valor oficial, especialistas apontam que números próximos a esse intervalo são plausíveis dentro do modelo de neutralidade fiscal previsto na reforma tributária.

“A projeção de 28% não significa que será o valor final, mas é compatível com os cálculos iniciais de neutralidade”, explica Henrique Maluf, economista e consultor de políticas fiscais.

Por que as estimativas apontam para uma alíquota elevada?

O novo IVA unificará diversos tributos hoje cobrados em esferas federal, estadual e municipal. Com isso, o percentual final precisa garantir que a arrecadação total não seja reduzida — princípio conhecido como neutralidade arrecadatória.

“A soma das bases tributárias anteriores é naturalmente alta. Quando unificada, ela tende a resultar em uma alíquota nominal elevada, mesmo que a carga efetiva não aumente”, contextualiza Carla Oliveira, professora da Universidade de Brasília.

Segundo especialistas, a alíquota brasileira deve competir com algumas das mais altas do mundo, embora isso não necessariamente represente aumento da carga total, que depende de diversos fatores.

Impactos possíveis para empresas e consumidores

Apesar de o governo ainda não ter divulgado o valor definitivo, setores produtivos afirmam que antecipar cenários é essencial para ajustar margens, preços e planejamento para 2026.

“O IVA tende a simplificar o sistema, o que é positivo. Mas uma alíquota nominal alta pode gerar desafios de adaptação, especialmente para pequenas e médias empresas”, avalia Roberta Louzada, especialista em varejo.

Entre os pontos mais discutidos estão:

  • Possíveis efeitos sobre preços ao consumidor;
  • Readequação de margens empresariais;
  • Impacto sobre setores de maior intensidade tributária;
  • Competitividade em relação a países com IVAs mais baixos.

Comparação internacional e repercussão externa

Analistas globais têm acompanhado o andamento da reforma tributária brasileira, destacando principalmente o desafio de equilibrar eficiência e arrecadação em um país de grande complexidade fiscal.

“A implementação do IVA brasileiro é observada de perto por instituições internacionais, pois representa uma mudança estrutural ampla”, afirma Alan Spencer, pesquisador do Instituto Global de Tributação (IGT), em Londres.

Segundo ele, países com IVAs elevados geralmente oferecem forte contrapartida em serviços públicos, o que coloca o Brasil em uma posição de atenção quanto ao retorno social do imposto.

Como o governo tem se posicionado

O Ministério da Fazenda reforça que a alíquota exata só será definida após os ajustes técnicos e regulamentações complementares. A prioridade, segundo a equipe econômica, é garantir transição gradual e evitar aumento real da carga tributária.

“A neutralidade arrecadatória é a diretriz principal. A alíquota será definida com base em estudos detalhados e diálogo com os setores produtivos”, afirmou Daniel Ribeiro, tributarista e ex-assessor da pasta.

O que esperar dos próximos meses

Com 2026 se aproximando, a expectativa é que as definições avancem ainda neste ano. Especialistas recomendam que empresas acompanhem de perto as regulamentações e iniciem ajustes internos.

“Mesmo sem número final, é importante trabalhar com cenários. Planejamento antecipado reduz riscos e facilita a transição”, sugere Helena Mourão, economista e consultora de gestão tributária.

Enquanto isso, o debate público deve continuar intenso, refletindo a importância do IVA para a economia nacional e sua influência direta sobre empresas, consumidores e o ambiente de negócios.

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