Quando o ambiente de trabalho se torna um risco: Dr. João Baptista e filhos lançam livro sobre prevenção e NR-1
Publicação reúne a experiência do médico perito e de seus dois filhos para discutir fatores psicossociais, saúde ocupacional e a importância de identificar problemas antes que provoquem adoecimento.
Metas, pressão, exigências emocionais e condições de trabalho fazem parte da realidade de diferentes setores da economia. Mas em que momento essas características podem representar riscos à saúde dos profissionais? E como as empresas devem identificar e prevenir situações potencialmente prejudiciais?
Essas questões estão no centro do livro Risco Psicossocial no Trabalho – NR01: Implicações Trabalhistas e Previdenciárias, escrito pelo médico perito Dr. João Baptista Opitz Júnior em parceria com seus filhos, João Baptista Opitz Neto e Luis Fernando Opitz.
A obra reúne conhecimentos médicos, jurídicos e de segurança ocupacional para analisar os fatores psicossociais relacionados às condições de trabalho e discutir a necessidade de uma atuação preventiva por parte das organizações.
O problema pode estar nas condições de trabalho
Para o Dr. João Baptista, compreender os fatores psicossociais exige olhar para a realidade das atividades profissionais e para as condições em que elas são desenvolvidas.
O médico perito alerta que a existência de fatores de risco não deve ser confundida com o diagnóstico de doenças psicológicas ou psiquiátricas.
“Fator psicossocial não é sinônimo e nem pode ser analisado como doença. Ele tem que ser conhecido, minimizado e ele tem que ter caráter preventivo”, afirma.
Segundo o especialista, o gerenciamento desses fatores precisa começar pela análise do ambiente profissional, considerando a organização das atividades e as situações às quais os trabalhadores estão expostos.
“O que se tem que analisar é o meio ambiente de trabalho”, ressalta.
A abordagem permite direcionar a atenção para condições que possam ser modificadas ou aprimoradas, contribuindo para a prevenção de riscos ocupacionais.
NR-1 amplia a importância do gerenciamento preventivo
As discussões relacionadas à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) colocaram os fatores psicossociais no centro das preocupações de profissionais de saúde e segurança do trabalho.
A norma estabelece diretrizes para o gerenciamento dos riscos ocupacionais, e a avaliação dos fatores psicossociais relacionados ao trabalho exige conhecimento técnico e compreensão das características de cada atividade.
Para o Dr. João Baptista, o foco desse gerenciamento deve estar na prevenção e na melhoria das condições profissionais.
“A finalidade não é curativa da norma. A finalidade é tão somente o reconhecimento e o conhecimento de fatores psicossociais para melhoria das condições ambientais de trabalho”, explica.
Três profissionais da mesma família unem especialidades
Um dos diferenciais do livro é a participação de três integrantes da família Opitz, que apresentam formações complementares relacionadas à saúde, ao direito e à segurança do trabalho.
O Dr. João Baptista Opitz Júnior é médico perito, mestre e doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Seu filho João Baptista Opitz Neto é médico do trabalho e advogado, mestre em Bioética e Biodireito, especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas, com formação complementar em Ergonomia e Psiquiatria.
Já Luis Fernando Opitz é graduado em Arquitetura e Urbanismo, com pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional.
A combinação dessas especialidades permite abordar os riscos psicossociais sob diferentes perspectivas, incluindo aspectos médicos, jurídicos, ergonômicos e organizacionais.
“Eles são de responsabilidade multidisciplinar”, destaca o Dr. João Baptista ao defender a participação de diferentes profissionais na avaliação desses fatores.
Nem todas as profissões enfrentam os mesmos riscos
A obra também chama a atenção para a importância de compreender as particularidades das diferentes atividades profissionais.
O médico perito cita como exemplo os profissionais que atuam em serviços de pronto-socorro, onde decisões rápidas, situações de emergência e pressão emocional fazem parte da rotina.
Nesses ambientes, a avaliação dos riscos deve considerar as características da profissão e identificar condições que possam ser melhoradas para reduzir exposições evitáveis.
O princípio também se aplica a outros setores, nos quais a análise precisa respeitar as exigências e particularidades de cada atividade.
Identificar os fatores de risco exige metodologia
Outro ponto central da publicação é a importância de utilizar métodos técnicos adequados para reconhecer e compreender os fatores psicossociais presentes nas condições de trabalho.
Para o Dr. João Baptista, não é possível desenvolver melhorias consistentes sem conhecer previamente os riscos que precisam ser gerenciados.
“Ninguém melhora fator psicossocial sem que os conheça, sem que utilize metodologia técnica suficiente”, enfatiza.
A obra busca contribuir para a atuação de médicos do trabalho, advogados, especialistas em segurança ocupacional, gestores empresariais e profissionais de recursos humanos.
Ao apresentar uma abordagem multidisciplinar, o livro amplia a discussão sobre como o conhecimento técnico pode orientar decisões preventivas e melhorias no ambiente profissional.
Assista ao vídeo sobre a publicação
Vídeo relacionado à publicação sobre riscos psicossociais no trabalho.
Prevenção como compromisso permanente
Ao reunir a experiência do Dr. João Baptista Opitz Júnior e os conhecimentos especializados de seus filhos, João Baptista Opitz Neto e Luis Fernando Opitz, o livro contribui para ampliar o debate sobre a proteção da saúde dos trabalhadores.
A publicação reforça que a identificação dos fatores psicossociais deve ser acompanhada de análise técnica, participação multidisciplinar e medidas preventivas adequadas às condições reais de trabalho.
Mais do que uma discussão sobre normas, a obra apresenta uma reflexão sobre a importância de reconhecer situações de risco e agir antes que elas provoquem consequências para os profissionais.
Para os autores, o caminho para ambientes de trabalho mais seguros começa com o conhecimento dos riscos e com a prevenção incorporada à rotina das organizações.
